Publicação do CFA reúne tipos de condutas, impactos e medidas preventivas contra crimes
O avanço das discussões sobre saúde mental, segurança no trabalho e igualdade de gênero tem levado empresas e instituições a enfrentarem uma realidade muitas vezes silenciosa dentro das organizações: o assédio e a violência contra a mulher. Em meio a esse cenário, o Conselho Federal de Administração (CFA) lançou, durante o Encontro Regional de Profissionais de Administração (ERPA) Nordeste 2026, em São Luís (MA), a cartilha “Prevenção ao assédio e violência – Para mulheres profissionais de Administração”.
“Seguindo os princípios da nossa comissão, desenvolvemos, em conjunto com a equipe de apoio e prevenção ao assédio e à violência contra a mulher, uma publicação que reúne orientações sobre condutas abusivas, impactos psicológicos, canais de denúncia, legislação brasileira e medidas preventivas. O objetivo é ampliar a conscientização e oferecer informações capazes de prevenir ameaças, comportamentos e práticas inaceitáveis que provocam danos físicos, psicológicos e econômicos às mulheres”, esclarece a coordenadora da Comissão Especial ADM Mulher do CFA, Admª. Rita Maria Silveira.
A cartilha ganha relevância diante de números alarmantes: quase 14 mil mulheres foram assassinadas no Brasil em dez anos. Os números do Mapa da Segurança Pública 2025, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), revelam outro um cenário preocupante: os casos de estupro cresceram 25,8% em cinco anos, chegando a 83.114 vítimas em 2024 .
Para o vice-presidente do CFA, Adm. Gilmar Camargo, combater o assédio e a violência contra a mulher não é apenas uma obrigação legal, mas uma responsabilidade ética e estratégica das organizações.
“Quando nos deparamos com quase 14 mil mulheres assassinadas, não estamos diante apenas de estatísticas, mas de vidas interrompidas, talentos afetados e profissionais que carregam marcas e sofrimento. O Sistema CFA/CRAs entende que proteger as profissionais de Administração também significa promover ambientes seguros, acolhedores e livres de qualquer forma de assédio ou violência, reforçando para toda a sociedade que o respeito e a dignidade devem ser princípios inegociáveis dentro e fora das organizações.”
A publicação aponta como formas de assédio humilhações, constrangimentos, comentários de teor sexual e contatos físicos sem consentimento. Além dos impactos às vítimas, como ansiedade, depressão, isolamento e queda de desempenho, organizações que ignoram essas práticas também podem enfrentar processos judiciais, redução da produtividade e adoecimento coletivo.
A cartilha recomenda medidas como canais anônimos de denúncia, treinamentos periódicos, códigos de ética e fortalecimento da cultura de acolhimento. O material também orienta vítimas sobre apoio psicológico, jurídico e canais oficiais de denúncia, além de reforçar a legislação brasileira, como a Lei 14.457/2022, que obriga empresas com CIPA a adotarem mecanismos de prevenção e combate ao assédio e à violência no trabalho.
“Prevenção ao assédio e violência – Para mulheres profissionais de Administração” integra um conjunto de ações do Sistema CFA/CRAs voltadas à proteção das mulheres no ambiente organizacional, entre elas a pesquisa sobre o Assédio e a Violência no Trabalho, que segue aberta até 31 de maio para profissionais registradas nos Conselhos Regionais de Administração. A participação é voluntária, sigilosa e anônima.
“Nossa luta é pelo respeito nas relações de trabalho, para uma cultura mais digna para as pessoas.A identificação de situações permite um combate mais efetivo, medidas de proteção e prevenção, de modo a contribuir para melhorar a vida das profissionais, pensando também nas futuras gerações”, salienta a coordenadora da Comissão Especial ADM Mulher do CFA.
Adriana Mesquita
Assessoria de Comunicação do CFA

